28 de setembro de 2018 às 14:46

Pela primeira vez, mulheres vão às ruas contra uma candidatura


Foto: Reprodução

Manifestantes contrários à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República irão às ruas em várias cidades do Brasil neste sábado. A organização dos atos partiu do grupo no Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, após a campanha #EleNão repercutir nas redes sociais.

Estão previstas manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras 28 cidades do país. Em resposta, o núcleo paulista do PSL convocou, para o domingo, um ato de apoio ao presidenciável, informou o UOL.

De acordo com a pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira, Bolsonaro lidera a corrida eleitoral com 28% das intenções de voto —35% entre os homens e 21% entre mulheres. Apesar de seu apoio entre as mulheres ser menor, é o mais alto entre os candidatos, empatado com Fernando Haddad, que também é escolhido por 21% das mulheres. No entanto, Bolsonaro também é o candidato com maior índice de rejeição, 46%. Entre as mulheres, a taxa sobe para 54%, também a mais alta.

Segundo o cientista político da UFRJ, Jairo Nicolau, e o diretor do instituto de pesquisas Locomotiva, Renato Meirelles, não há registros na história recente do Brasil de uma mobilização destas proporções contra um candidato específico.

“Claro que algumas candidaturas, como a do Collor, em 1989, geraram uma rejeição muito grande em setores da sociedade civil, mas essa rejeição não se tornou um movimento ‘anti’”, afirma Nicolau. Para o pesquisador, os movimentos feministas, que vêm ganhando destaque no debate público nos últimos anos, souberam politizar essa rejeição e se organizar principalmente pelas redes sociais para ir às ruas.

Nas últimas semanas, enquanto Bolsonaro subia nas pesquisas, a campanha #EleNão ganhou apoio de celebridades, como as atrizes Camila Pitanga e Monica Iozzi e as cantoras Anitta e Daniela Mercury. Segundo a Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP), da FVG, entre o dia 12 de setembro e a última segunda-feira, as hashtags da mobilização contra Bolsonaro (#elenão, #elenunca, #elejamais) mobilizaram cerca de 1,2 milhão de postagens no Twitter. A campanha #elesim gerou cerca de 283 mil tuítes.


Fonte: Exame

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