Notícias

30 de outubro de 2018 às 15:49

Em entrevista ao JN, Bolsonaro diz que agressores de LGBTs devem ter “pena agravada”


Foto: Reprodução

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) comentou sobre as suas polêmicas que carrega devido as suas declarações na qual pautaram as redes sociais durante a sua campanha eleitoral e negou ser homofóbico, em entrevista ao Jornal Nacional nesta segunda-feira (29).

Questionado por relatos concretos sobre pessoas que têm agredido gays, ele disse: “A agressão contra um semelhante tem que ser punida na forma da lei. E se for por um motivo como esse, tem que ter sua pena agravada.”, justificou.

Agora, deixo bem claro: eu ganhei o rótulo, por muito tempo, de homofóbico. Na verdade, eu fui contra a um kit feito pelo então ministro da Educação, Haddad, em 2009 para 2010, onde chegaria nas escolas um conjunto de livros, cartazes e filmes onde passariam crianças se acariciando e meninos se beijando. Não poderia concordar com isso, e a forma como eu ataquei essa questão é que foi um tanto quanto agressiva, porque eu achava que aquele momento merecia isso”, continuou.

Ainda na entrevista, Bolsonaro compartilhou uma informação equivocada sobre “Seminário infantil LGBT”, e agradeceu o apoio dos seus eleitores e fez duras críticas contra o jornal Folha de S.Paulo, acusando-o de propagar fake news ao seu respeito. Imediatamente após a fala do presidente, William Bonner discordou ponderando que o impresso trata-se de um veículo sério.

Kit Gay é falso 

O “kit gay” que Bolsonaro sempre fala, é um projeto que fazia parte do programa ‘Escola sem Homofobia’, do governo federal, em 2004.

O livro apresentado por Bolsonaro em diversos lugares se trata do ”Aparelho Sexual e Cia”, dizendo que estaria no material do programa ”Escola Sem Homofobia” e foi desmentido pelo MEC e pela editora responsável pelo livro.

O programa não chegou ser colocado em prática e era voltado à formação de educadores e não tinha previsão de distribuição do material para alunos.  Elaborado por profissionais de educação, gestores e representantes da sociedade civil, o kit era um caderno, seis boletins, cartaz, cartas de apresentação para os gestores e educadores e três vídeos. A distribuição do material foi suspensa em 2011 por Dilma Rousse.

9º Seminário LGBT Infantil na Comissão de Direitos Humanos da Câmara não existiu

Foi organizado no auditório Nereu Ramos, da Câmara, o “9º Seminário LGBT no Congresso Nacional”, um evento realizado anualmente, que em 2012 foi feito em maio. Naquele ano, foram discutidos os temas “infância e sexualidade”, portanto, não existiu  “9º Seminário LGBT Infantil na Comissão de Direitos Humanos da Câmara”, como diz Bolsonaro.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) escreveu no pedido de autorização para organizar o evento que o objetivo era debater com a sociedade civil e o governo federal “sobre a infância e a adolescência de meninos e meninas que sofrem bullying e violência doméstica por escapar dos papéis de gênero definidos pela sociedade”. O lema do seminário era “Todas as infâncias são esperança”, que contava com a participação de especialistas em direito, educação, sexualidade, psicologia e cultura.

Abaixo entrevista completa dada ao JN em 29/10/2018 um dia após eleito.



Com informações de Observatório G e Amazonas 1.

Fonte: Equipe

comentários

Estúdio Ao Vivo