30 de outubro de 2018 às 15:16

Eleitor de Bolsonaro oferece brinde para quem ‘caçar viadinho’


Fotos: Reprodução

O fim da corrida presidencial no país trouxe consigo uma sensação de medo e insegurança à comunidade LGBT brasileira. Após o resultado que confirmou a vitória de Jair Bolsonaro que se tornará o próximo presidente a partir de 2018, dezenas de relatos de ameaças homofóbicas, com alguns, inclusive, oferecendo recompensa para quem “caçar e atirar em viadinho”.

“Atenção, geral! Tá liberada a caça legal aos viadinhos! Não vale atirar na cabeça, tá ok?”, afirmou o internauta, oferecendo como recompensa “1 caixa de Budweiser pra cada viadinho no chão” e conclui com um “valendo” em sinal à liberação da “caça” “outorgada” pela vitória do militar.

O responsável pela postagem, identificado como M.S, traz em sua foto do perfil adesivo de apoio a Bolsonaro e uma foto do presidente eleito na capa da rede social.

Uma outra internauta, identificada como F.V., que também tem foto de apoio a Jair Bolsonaro em sua conta, afirma que “gay bom é gay morto” e propõe a criação de um grupo de WhatsApp para extermínio de gays em Goiânia.

“Grupos de extermínio dos gays no Goiás, agora com a vitória do nosso mito Bolsonaro, vamos juntos lutar pela família brasileira e por fim nesses filhos do demônio a favor da família tradicional. Informações pelo telefone (62) ****-****. Gay bom é gay morto, junte-se a nós”, afirmou ele.


A Ordem dos Advogados do Brasil investigará o print sobre a criação do grupo de extermínio, conforme informou a advogada Chynthia Barcellos, membro da Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da OAB.

Para ela, “este é um caso de dano moral coletivo, quando a ameaça não está direcionada a uma pessoa apenas”. Barcellos diz ainda que esses casos podem ser reportados ao Ministério Público e no Disque 100: “As pessoas continuam sob a tutela das leis e precisam ir atrás disso. Nenhum discurso de ódio vai legitimar esse tipo de crime”, completou a advogada, segundo o site do jornal O Popular.

No Paraná, estado onde Bolsonaro teve votação expressiva, foram registradas cenas de violência em Curitiba, na região central da cidade, e na frente de algumas baladas LGBT como a Verdant e Slay.

Na web, moradores local e frequentadores dos espaços relataram que bolsonaristas tentavam entrar na Verdant para atacar o público que se encontrava no espaço. Em pronunciamento no Facebook a boate negou que tenha havido qualquer caso de violência dentro da casa, mas ressaltou que houveram, sim, cenas de violência nos arredores.

 

E os relatos de violência continuam, no relato abaixo, a pessoa relata que estava pegando um ônibus, em direção ao trabalho e sentou ao lado de um rapaz (não identificado no relato), e começou a xinga-la e que tinha que apanhar mesmo, e as pessoas ao redor nada fizeram. Nesse momento, o ideal é as pessoas serem solidarias e darem apoio a pessoa agredida, dando um jeito de chamar a policia.


Cartilha de segurança

Casos de agressão política contra minorias sociais e oposicionistas a Jair Bolsonaro passaram a circular nas redes sociais logo após o fim do primeiro turno. O medo crescente da violência contra LGBTs fez com que a criação de uma cartilha de segurança destinada à essa população viralizasse logo após o resultado do pleito final, que aconteceu no último domingo, 28.

Intitulada “Dicas de Segurança”, a cartilha foi criada pela Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTI (Renosp), escrita pela 2º Sargenta da Marina Brasileira Bruna G. Benevides e com arte visual do soldado da Polícia Militar de São Paulo Tiago J. Leme Lisboa.

O manual aborda situações de violência a que lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros estão sujeitos fora de suas residências em diversas situações como rua e transporte público, por exemplo.

“Sentem-se em bancos próximos ao cobrador ou motorista. No corredor, para ter controle de quem senta ao seu lado ou caso precise trocar de lugar”, alerta o texto sobre a situação em coletivos, como ônibus.

Quando sair no final de semana para balada, por exemplo, evitar ir sozinho e, ainda, o consumo excessivo de álcool e drogas. Na hora de ir embora, caso faça uso de transporte público, procurar pontos movimentados.

“Avise para alguém de confiança casa vá marcar um fervo com alguém. Passe o local e horário para que a pessoa monitore a sua segurança”, ressalta a cartilha.

“Caso presencie alguma situação de violência, tente prestar apoio, desde que sua segurança não seja ameaçada. Se possível, filme ou peça para alguém filmar a situação, facilitando a identificação dos agressores”.

Para ter acesso ao material completo basta clicar aqui.

Saiba como denunciar homofobia

Embora não seja considerada crime, a homofobia é hoje uma das práticas de ódio mais comum no dia a dia. A ojeriza motivada pela orientação sexual de outrem deixa marcas que, quando não fatais, psicológicas.

No Brasil, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, uma pessoa LGBT é morta a cada 19 horas. Em 2017, a entidade computou 445 homicídios desse tipo, o que representa um aumento de 30% em relação ao ano anterior.

As vítimas são, em maioria, homens gays negros e pardos, entre 18 e 30 anos.

As denúncias que chegam pelo Disque 100 são encaminhadas a órgãos como centros de referência de combate à homofobia, a Defensoria Pública e o Ministério Público.

A Constituição brasileira define como “objetivo fundamental da República” (art. 3º, IV) o de “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, ou quaisquer outras formas de discriminação”.

Por meio da Lei Estadual 10.948/2001, o estado de São Paulo estabeleceu diferentes formas de punição a diversas atitudes discriminatórias relacionadas aos grupos de pessoas que tem manifestação sexual perseguida por homofóbicos e intolerantes.

Saiba como identificar a homofobia

Em alguns casos, a discriminação pode ser discreta e sutil, mas muitas vezes o preconceito se torna evidente com agressões verbais, físicas e morais. Qualquer que seja a forma de discriminação é importante que a vítima denuncie o ocorrido. A orientação sexual não deve, em hipótese alguma, ser motivo para o tratamento degradante de um ser humano.

  • o agressor costuma usar palavras ofensivas para se dirigir à vítima ou ao grupo LGBT como um todo;
  • muitas vezes o agressor não reconhece seu preconceito e trata as ocorrências de discriminação como brincadeiras;
  • é comum o agressor fazer uso de ofensas verbais e morais ao se referir às minorias sexuais;
  • a agressão física ocasionada pela homofobia é comum e envolve desde empurrões até atitudes que causem lesões mais sérias, como o espancamento;
  • o agressor costuma desprezar todas as formas de comportamento da vítima, considerando-os desviantes da normalidade;
  • o homofóbico costuma se dirigir à vítima como se esta fosse inferior e fora da normalidade;
  • é costume do homofóbico a acusação de que as minorias sexuais atentam contra os valores morais e éticos da sociedade;
  • o agressor costuma ficar mais agressivo ao ver explícitas demonstrações amorosas ou sexuais que fogem ao padrão heteronormativo (por exemplo: mãos dadas, beijos e carícias);
  • o agressor costuma negar serviços, promoção em cargos empregatícios e tratamento igualitário às vítimas.

Em casos de trauma, depressão ou qualquer tipo de transtorno emocional deve-se procurar ajuda psicológica.

Como denunciar

Toda delegacia tem o dever de atender as vítimas de homofobia e de buscar por justiça. Além de ser um direito, é dever de todo cidadão denunciar esse tipo de ocorrência.

A vítima deve exigir seus direitos e registrar um Boletim de Ocorrência. É  essencial buscar a ajuda de possíveis testemunhas na luta judicial a ser iniciada. Em caso de agressões físicas, a vítima não deve lavar-se nem trocar de roupa, já que tais atos deslegitimariam possíveis provas que devem ser buscadas através de um Exame de Corpo de Delito (a realização desse exame é indispensável).

Se a violência for feita por meio de danos à propriedade, roupas, símbolos, bandeiras e etc, deve-se deixar o local e os objetos da maneira como foram encontrados para que as autoridades competentes possam averiguar a situação.

Atualmente, o Disque 100 funciona como um número de telefone destinado ao recebimento de denúncias sobre pedofilia, abuso de crianças, trabalho infantil e também homofobia. Há em São Paulo uma Delegacia especializada em Delitos de Intolerância, nos contatos abaixo:

Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI)

Rua Brigadeiro Tobias, 527 – 3º andar Luz – SP

Tel: (11) 3311-3556/3315-0151 – Ramal 248

Para denúncias pela internet acesse: http://www.humanizaredes.gov.br/disque100/

Rio de Janeiro

O programa estadual Rio Sem Homofobia tem uma série de serviços para quem vive no estado, como atendimento jurídico, social e psicológico. A Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS) atende aos moradores da capital.

Rio Sem Homofobia: www.riosemhomofobia.rj.gov.br/

Minas Gerais

Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS)

Fone (31) 3075-5724

Cel (31) 8817-1170 (31) 9305-4167

E-mail cellosmg@yahoo.com.br


Com informação de Catraca Livre e Pheeno.

Fonte: Equipe

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