01 de dezembro de 2018 às 18:07

Com menos de 3% dos selecionados em atividade no Mais Médicos, governo vai disparar ligações aos inscritos


Foto: Reprodução

Menos de 3% dos 8,3 mil selecionados para o Mais Médicos começaram a trabalhar. São 230 médicos já “homologados”, ou seja, que estão atuando nas cidades onde escolheram entre 940 “validados”, que se apresentaram no local ou fizeram contato com a prefeitura para acertar detalhes, segundo balanço apresentado nesta quinta-feira pelo governo em reunião com secretários de Saúde. Para evitar desistências em massa, o Ministério da Saúde vai fazer a partir desta quinta-feira um mutirão de ligações telefônicas para os profissionais. A ideia é pedir que eles antecipem a ida aos municípios ou que desistam de imediato caso não queiram o emprego naquele local. O prazo final para começar a trabalhar é 14 de dezembro.

Além do risco de não comparecimento, gestores alertaram a pasta que ao menos 2.844 médicos inscritos no programa estão saindo de equipes de Saúde da Família da rede municipal, atraídos por vantagens do Mais Médicos — o que abrirá novas frentes de desassistência nos postos abandonados. O número de profissionais “migrando” representa 34% dos 8,3 mil médicos já selecionados, mas foi calculado em uma base de 7.271 nomes disponibilizados no balanço da última segunda-feira. 

Adeilson Cavalcante, secretário-executivo do Ministério da Saúde, afirmou aos gestores que será preciso um “processo de acomodação” e anunciou medidas para acelerar o início dos trabalhos e evitar seleções frustradas. 

"Vamos ligar para cada médico para pedir que antecipem a ida aos municípios. Aqueles que desistirem que o façam de imediato junto ao gestor", disse Cavalcante.

Ficou acertado que será instalada uma “sala de situação” no prédio do Ministério da Saúde, em Brasília, para que os gestores municipais acompanhem os desdobramentos da seleção. O governo vem apontando a adesão ao Mais Médicos como um grande sucesso, com preenchimento de mais de 97% das vagas deixadas pelos cubanos em menos de uma semana, mas prefeitos e secretários têm dúvidas quanto à efetiva ocupação dos postos por conta da resistência dos profissionais a irem para locais de difícil acesso. 

As vagas remanescentes serão abertas em um segundo edital para médicos formados no exterior que não tenham diploma validado no Brasil. A seleção atual é apenas para os profissionais com registro no país — ou porque se formou aqui ou porque passou no teste brasileiro de revalidação do título da graduação. Os editais foram lançados emergencialmente após Cuba romper o termo de cooperação com Brasil, atribuindo a decisão a declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro.


Fonte: O Globo

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